segunda-feira, 22 de março de 2010

Mais do mesmo


Bom, já faz tempo que ando me sentindo em débito com vocês leitores e não é à toa. O fato é que pra escrever algo neste espaço preciso de algo que me impressione, cause indignação, ou mesmo curiosidade.

Como vocês podem perceber, não tem acontecido nada tão extraordinário a ponto de me despertar esse tesão de escrever.

Ando a sofrer da síndrome “Mais do Mesmo”. Sim, a crise é recorrente admito, mas confesso que nunca tinha persistido tanto tempo. Por isso resolvi escrever baseada no próprio desânimo e de quebra explicar o motivo da indiferença que me toca.

Há um tempo pensei em escrever sobre várias coisas, entre elas, sobre política, assunto que certamente da muito pano pra manga para alguns, o que nunca foi meu caso.

Então, você pode perguntar: Jornalista que não vê graça em política?

Respondo.

Não. Ultimamente, menos ainda, justamente por conta do “Mais do Mesmo”.

Explico.

Posso estar errada, mas, a política do país sempre teve uma mecânica muito previsível, um modo de ser que acaba refletindo em todo o resto.

Essa semana li um artigo que falava exatamente sobre essa mecânica.

O articulista dizia que a maioria da população brasileira é acomodada e gosta de levar vantagem em tudo.

De fato, a gente sempre pode presenciar uma situação que ilustra bem isso, seja quando um caminhão de carga tomba e é saqueado, em tentativas de suborno ao ter cometido uma infração, ou ainda em coisas mais simples como escarros nas ruas, os empurra-empurras nos transportes públicos, entre outros absurdos.

Na política a coisa não é diferente. Desvios de dinheiro, obras superfaturadas e etc.

Mas o que me chamou a atenção no artigo foi o autor dizer que a razão de tudo isso é o efeito espelho, ou seja, do ponto de vista dele a população é assim por que recebe o mau exemplo dos políticos.

Discordo.

Para mim, acontece justamente o contrário. Os políticos são reflexos de uma sociedade falida e não o contrário.

De qualquer forma, como disse no começo desse texto, isso não me causa um pingo de espanto, pois esse círculo vicioso não é de hoje e se reflete em todos os aspectos de nossas vidas.

Antes pensar nessas coisas me causava uma puta revolta, eu externava, debatia e gritava aos quatro cantos que não precisa ser assim, por que esse “Brazilian way of life” está na faculdade, no trabalho, em casa e tudo mais, não dá pra fugir.

Nunca deu resultado. E nós inconformados de plantão ainda levamos má fama.

Broxei.

Às vezes penso que acabei adquirindo essa doença que ataca a sociedade desde tempos imemoriais. E no patamar que estamos já nem adianta mais antídoto.

Nossa esperança reside apenas no desenvolvimento de uma vacina (que pode ser implantada nas escolas) pra proteger nossas crianças dessa síndrome alienadora.

Síndrome “Mais do mesmo”.